"100 PALAVRAS PARA 1 IMAGEM" - Actividade / Concurso de Escrita Criativa

No mês de Fevereiro desafiamos a vossa imaginação: propomo-vos que observem atentamente as imagens / quadros que forem surgindo na biblioteca.

Depois, é só pegar no papel (ou no teclado do computador) e escrever um pequeno texto original, com cem palavras, e enviá-lo por email ou correio azul para a Biblioteca.

Podem participar na actividade alunos de todos os anos de escolaridade, professores, funcionários e outros elementos da comunidade.

O regulamento de participação está afixado na Biblioteca e encontra-se publicado no Blogue da Biblioteca em http://biblos-tocha.blogspot.com/ .

Será que estão sem palavras perante este desafio?
De certeza que não.

Participem e divulguem.

Obrigado.

História de todos nós (continuação)

(...)
-- Mas que se passa aqui? – as palavras da avó ecoaram pelo nevoeiro, num misto de preocupação e curiosidade.
Nesse instante, todos os olhos se voltaram para ela… Tiago, Raquel, André e Melissa nada conseguiam dizer, submersos no mesmo medo: seria este o fim da aventura?
Um delicado roçar contra o mosaico liso do chão quebrou aquele silêncio demorado: a bola Saltitona rodava, lenta e compassadamente, levantando uma brisa leve e com um aroma especial… Cheirava a morango e baunilha! Estrela enterrava o nariz entre as patas e voltava a espreitar, tentava escapar àquele perfume que os seus amigos tanto pareciam gostar. Não eram os únicos… a avó parecia estar enfeitiçada por aquele cheirinho e por aquela bola de sabão, tão grande e reluzente, que se arrastava na sua direcção. Olhava-a fixamente, intrigada e ansiosa por lhe tocar.
Então, a bola mágica parou de rodar a escassos dois passos da avó. André foi o primeiro a perceber o que a avó estava a sentir, por isso, não estranhou ao vê-la esticar o braço com confiança e tocar na bola Saltitona.
-- Parece espuma! É tão fofa! Como é possível? – dizia a avó sorridente.
Nisto o avô deu um passo em frente, receoso.
Toda a vida tinha sido um homem trabalhador, desde pequeno, e os anos como pescador e nas oficinas a cuidar da madeira envelhecida dos barcos pareciam ter-lhe enrugado não só as suas mãos fortes e ásperas, mas também o sonho. O avô já não acreditava no mesmo mundo mágico com que Tiago, Raquel, André, Melissa e até a avó sonhavam. Na verdade, não se lembrava quando tinha deixado de o fazer… Se é que algum dia teria sonhado… Mal ele sabia o que este dia lhe reservava!
-- Não… - foi a única palavra que o avô teve tempo de dizer enquanto entrelaçava a sua mão na da avó, tentado puxá-la para si.
Nesse instante um corrupio de acontecimentos surpreendeu todos: um intenso raio de sol abriu espaço por entre o nevoeiro triste e cinzento, e acertou em cheio na face translúcida da bola Saltitona! O raio de sol e a bola Saltitona pareciam brincar, alheios aos espectadores que contemplavam aquele espectáculo, fascinados. A bola de sabão rodopiava, subindo e descendo no ar, enquanto que aquele raio de sol deixava um rasto doirado ao girar em torno dela.
-- Está a pintá-la! – disse Raquel às gargalhadas, cujo riso se confundia com da própria bola Saltitona.
A bola de sabão mágica já não era mais translúcida, mas de mil cores!
-- Tão linda!… - exclamou André.
Estrela também parecia fascinada e, num pulo,começou a correr desenfreada em direcção à bola…
-- Não! Vais rebentá-la! – gritaram as crianças em coro.
Era tarde demais… Estrela avançava veloz, não ouvia ninguém, até que…
-- Ah! – avó, avô, Tiago, Raquel ,André e Melissa não contiveram os sorrisos! - Estrela tinha penetrado a bola Saltitona e pairava agora dentro dela, levitando no ar enquanto agitava a cauda contente.
A avó e as crianças entreolharam-se com sorrisos matreiros. O avô adivinhou-lhes os passos, mas, incrédulo com tudo o que via, nada conseguia dizer ou fazer. Com passos ansiosos, os cinco correram em direcção àquela misteriosa bola mágica que parecia ter engolido Estrela. Rodearam-na e deram as mãos. A avó foi a primeira a esticar o pé para dentro da bola Saltitona. Nisto, sorriu outra vez e mergulhou! As suas mãos, com confiança e ânsia, puxaram as de Tiago e Raquel que estavam ao seu lado e, por último Melissa e André.
Estavam agora os cinco com Estrela dentro da bola Saltitona, e flutuavam…
-- Ahahahahahahahah…! - os seus risos misturavam-se e ecoavam no ar…
-- Mas…? Como é possível? Não pode ser…. – o avô baloiçava na alegria das gargalhadas quentes das crianças e da avó e, ao mesmo tempo, na frieza do soalho, que o trazia de volta a uma realidade triste, sem espaço para a magia de acreditar…
Mas eram tão quentes, tão apetecíveis aqueles risos…!
-- Anda avô! – diziam Melissa e André.
-- Sim, vem avô! – exclamavam os restantes
Puxado pelas palavras e gargalhadas o avô deu um passo em frente. Começou a caminhar, primeiro depressa, mas, à medida que se aproximava da bola Saltitona, cada vez mais devagar. O chão parecia querer retê-lo, o avô duvidava outra vez…
-- Mas é impossível! Não pode ser… – murmurava ele.
Então, a bola Saltitona começou a subir mais, e mais - as desconfianças do avô afastavam-na…
-- Oh avô vem! Não tenhas medo! É tão bonito aqui! Anda avô! – gritavam as crianças em coro.
-- Anda avô, vem sonhar connosco…! – a avó falava baixinho, como quem conta um segredo, e sorria.
Então o avô acreditou!
Num pulo cheio de força e vontade esticou o braço, e com a ponta dos dedos tocou na bola de sabão multicolor. Tiago, Melissa, André e Raquel equilibraram-se com os pés e com as mãos contra as paredes da bola de sabão e, ao mesmo tempo, perfuraram-na com os braços; o avô agarrou aquelas mãos abertas, prontas para o puxar.
O avô entrou na bola saltitona!
Ela rodou sobre si mesma, estava feliz! Elevou-se no céu na largura de uma coluna de raios de sol que só a iluminava a ela. Subia, subia, subia cada vez mais alto e o céu ganhava um azul cada vez mais forte, só com uma nuvem branquinha aqui ou ali, como algodão doce!
-- Aaah… como é bonito isto cá em cima! – exclamou o avô sorridente.
-- E ainda não viram nada! – disse a bola salitona.
-- Pois eu quero ver mais, quero mais deste mundo maravilhoso! – exclamou André entusiasmado.
-- Sim! - todos concordavam.
Estava então decidido até onde a bola Saltitona os iria levar… ao mundo onde nunca ninguém se cansa de sonhar, ao mundo mágico do arco-íris!

História de todos nós - Umas férias fantásticas (2º Capítulo)

... (continuação)

Todos sentiram um ar misterioso a envolvê-los.
A cadela de olhos arregalados recuou… mas, de súbito, começou a ladrar com toda a força.
Os avós, ao ouvir a Estrela a ladrar tanto, foram ver o motivo de tanto chinfrim.
A bola de sabão ouviu o barulho dos passos dos avós, ela tinha o sentido da audição muito apurado e, imediatamente, desapareceu no nevoeiro.
Quando os avós chegaram ao terraço, apenas viram os netos e a cadelita que não parava de ladrar.
-- O que se passa? – perguntou a avó.
-- Que barulheira logo de manhã! – exclamou o avô.
-- Não é nada só estamos a brincar com a Estrela. – disseram os meninos.
Os avós sentiram algo de estranho e ficaram um pouco desconfiados quanto à resposta das crianças.
A avó que conhecia bem os netos percebeu, logo, que eles estavam a esconder alguma coisa.
-- Bem… vamos embora que eles querem brincar. – disse a avó, piscando o olho ao avô.
Saíram e esconderam-se para descobrir as peripécias em que os netos andavam metidos.
A bola de sabão, não vendo ninguém, regressou e falou para os meninos:
-- Eu sou uma bola de sabão mágica e chamo-me Saltitona.
-- Ah! Mas, mas… tu falas!?
Os meninos nem queriam acreditar que tinham ali uma bola mágica.
A bola riu-se e perguntou-lhes:
-- Amiguinhos gostam de aventuras?
-- Sim. Gostamos muito. – responderam os meninos .
-- Então, se querem conhecer o mundo ou viajar até ao passado, venham comigo.
-- Mas como? Perguntaram, já entusiasmados, os meninos.
-- É só entrarem e dizerem para onde querem ir.
Os avós ao ouvirem isto ficaram preocupados e a apareceram …


E b 1/JI Tocha, 20/11/08
3º/4º Anos Turma Toch9

Nota:
as imagens serão publicadas oportunamente.

Centenário de Manoel Oliveira (de 24 a 28 de Novembro)

PROGRAMA:
Da Programação para esta actividade fazem parte duas iniciativas distintas, mas complementares:

    • Exposição patente ao público na Biblioteca Escolar, de 24 a 28 de Novembro de
      2008, no horário de funcionamento deste espaço;

    • Exibição do documentário “MANOEL DE OLIVEIRA – O CASO DELE”, seguida de “Conversa com o Professor Fausto Cruchinho” – que terá lugar no dia 26 de Novembro de 2008, das 14.00 às 17.00 horas, no auditório da Biblioteca Escolar (Sala
      A2).
Devido às restrições de espaço e à necessidade de preparar os Certificados de Presença, solicita-se aos interessados nesta sessão o favor de procederem à inscrição, com a maior brevidade possível, por email (biblosblogue@gmail.com / becre@eps-tocha.rcts.pt ) ou telefone (231-442-466).
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Fausto Cruchinho:

Assistente convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.Mestrado em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais na Universidade Paris 8-Saint Denis, com a dissertação "Le désir amoureux dans Les cannibales de Manoel de Oliveira". Tem leccionado, entre outras, as disciplinas de Cinema Português e Géneros Cinematográficos, na licenciatura em Estudos Artísticos; Comunicação Audiovisual, na licenciatura em Jornalismo. Membro investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX - CEIS 20 da Universidade de Coimbra, onde integra o grupo Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais.Membro da Assembleia da Universidade de Coimbra.
Algumas publicações recentes:
2009 – "Pedro Costa: relações de sangue". In P: Portuguese Cultural Studies. Universidade de Utrecht (em publicação) 2008 – "Vai-e-vem: os dois movimentos em João César Monteiro". In Estudos do Século XX. nº 7. Coimbra. CEIS20, pp. 319-335 (em publicação) 2008 – "The Woman in the Shop-Window and the Man looking at her – The politics of the look in Manoel de Oliveira’s oeuvre". In Manoel de Oliveira (coord. Carolin Overhoff Ferreira). Londres. Dekalog (em publicação) 2007 – "Que farei eu com esta espada?". In O cinema português através dos seus filmes (coord. Carolin Overhoff Ferreira). Porto. Campo das Letras. Colecção Campo do Cinema, pp. 135-139 2007 – "A televisão de Roberto Rosselini", In Estudos do Século XX. nº 7. Coimbra. CEIS20, pp. 319-335 2006 – “O cinema didáctico de Roberto Rossellini”, In Estudos do Século XX, nº 6, Coimbra, CEIS20, pp. 369-380 2004 – "João César Monteiro – cosmogonia de um Deus", In Via Latina, Nova série, nº 3, Coimbra, AAC 2004 - "O mal sublime em Abel Ferrara", In Via Latina, Nova série, nº 1, Coimbra, AAC 2003 - O desejo amoroso em "Os canibais" de Manoel de Oliveira, Porto, Mimesis, Colecção Escritos 2002 - "Spirito e materia in Manoel de Oliveira", In Ciemme, nº 141-142, setembro-dezembro, Veneza 2002 - Fernando Lopes - uma mística do olhar. Porto. Mimesis, Colecção Arte Contemporânea Portuguesa. 2001 - Recepção crítica de "Amor de Perdição" de Manoel de Oliveira, Cadernos do CEIS20, nº 2, Coimbra, CEIS20 2001 – “Os passados e os futuros do Cinema Novo - O cinema na polémica do tempo”, In Estudos do Século XX, nº 1, Coimbra, CEIS20, pp. 215-240. 2000 – “Civiltà, mondo e cultura in Manoel de Oliveira”, In Manoel de Oliveira, Turim, Torino Film Festival, pp.243-247. 2000 – “O Conselho do Cinema: notas sobre o seu funcionamento”, In O cinema sob o olhar de Salazar, Lisboa, Círculo de Leitores/ Temas e Debates, pp. 339-355.

HISTÓRIA DE TODOS NÓS

A ideia surgiu sob a forma de desafio - "E se as escolas do Primeiro Ciclo do Agrupamento Gândara Mar da Tocha escrevessem e ilustrassem uma história original?"
Definidos os objectivos e o calendário, distribuídas as tarefas, os professores partiram para as suas escolas e, com as suas turmas, irão dar resposta a esta sugestão de trabalho: escrever uma história que, literalmente, seja uma "História de todos nós", feita com pequenos (mas significativos) contributos de cada professor, de cada grupo de alunos, de cada escola, da biblioteca ...

Aqui, neste blogue, à medida que forem surgindo os capítulos, iremos acrescentando-os, para que todos possamos ir acompanhando o desenrolar da narrativa.

Começamos, hoje, com o primeiro capítulo - "Umas férias fantásticas!", cujo texto foi escrito pela Turma Toch 7, do 4º ano e as ilustrações foram realizadas pela turma T0ch3 do 2º ano.

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Umas férias fantásticas!

Estava uma bela manhã de Verão, pelo menos em Lisboa, onde se encontravam o Tiago e a Raquel. Os dois irmãos estavam muito apressados pois, finalmente, tinha chegado o grande dia! Iam passar férias para casa dos avós que, por sorte, viviam na Praia da Tocha.
Durante a viagem, a conversa decorria muito animada, só a Raquel não parecia muito entusiasmada. Baixinho, confessou ao irmão que tinha pena de os pais não poderem passar as férias com eles.
-- Anima-te, mana, aposto que nos vamos divertir! – disse o Tiago para sossegar a irmã mais nova.
Entretanto, os dois adormeceram e, quando acordaram, estavam diante de um mar imenso… A bandeira estava amarela e, como não podiam dar um mergulho, dirigiram-se para casa dos avós. Mal sabiam que os esperava uma surpresa fantástica: os primos, Melissa e André, tinham vindo do Luxemburgo para visitar os avós. Eram gémeos e, se não fossem as longas tranças com laçarotes da menina, nada parecia distingui-los.
-- E se fôssemos dar um passeio, enquanto a avó prepara o almoço? – propôs o André.
-- Boa ideia! – disseram os primos em coro.
À medida que caminhavam pela beira-mar, iam ficando cada vez mais fascinados. De um lado, as dunas branquinhas onde apetecia rebolar e, do outro, os salpicos frescos das ondas... Enquanto chapinhavam na imensidão do areal, iam recolhendo conchas e pedrinhas, maravilhosas como tesouros!
Regressaram mesmo na hora de ir para a mesa.
-- Hum!... Que cheirinho! Estamos esfomeados! – exclamaram os primos.
À tarde, na hora de maior calor, aproveitaram para procurar pinhas na floresta que ficava nas traseiras da casa.
No meio das acácias e pinheiros encurvados pelo vento, pareceu-lhes ouvir uns latidos. Aproximaram-se e, entre os arbustos, encontraram uma cadelinha abandonada. Tinha o pêlo macio, amarelo dourado como o Sol, e uns olhos tão brilhantes que mais pareciam estrelas em noite de luar!
-- Que bonita! – exclamaram as meninas.
-- Ficamos com ela, concordam? – perguntou o Tiago.
-- Claro! E vamos chamar-lhe «Estrela»! – concluiu o André.
Nessa noite, de tão cansados, dormiram como pedras, embalados pelo barulho do mar.
Na manhã seguinte, os quatro primos acordaram entusiasmados com a ideia de irem brincar com a Estrela para a praia. Saltaram da cama, correram para a janela e…
Foi a desilusão total!
-- Que azar! Está um nevoeiro cerrado! – disse a Melissa,desapontada.
-- Temos que arranjar outro programa divertido! – exclamou o Tiago.
-- E se fôssemos fazer bolas de sabão? – propôs o André, já animado.
-- Boa! – gritaram os outros, entusiasmados.
Já no terraço, foi uma explosão de alegria! Enquanto os primos se esforçavam para ver quem conseguia fazer bolas maiores, a Estrela divertia-se a tentar rebentá-las.
De repente, no meio de tantas bolas, houve uma que não rebentou. Pelo contrário, cresceu tanto, tanto, tanto, que ficou gigante e ganhou vida própria.
Um a um, os amigos sentiram-se como que sugados por qualquer coisa estranha… Era a bola de sabão! Era mágica!


EB1/JI de Tocha, 07/11/2008 4º Ano Turma Toch 7
Nota:
as imagens serão publicadas oportunamente.